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15/05/12

ABC para construção de ciclovias

Caros Rapaduras:

Vejam que interessante artigo indicando que o conceito de ciclovia já existe há muito tempo.

A fonte: http://biciclotheka.wordpress.com/2012/05/14/abc-para-construcao-de-ciclovias/

 

ABC para construção de ciclovias

A de Adolf Hitler
B de Berlim
C de Carros

O Ano é 1934. Adolf Hitler já tinha chegado ao poder pelo Partido Nacional-Socialista. Neste mesmo ano, ele tornou obrigatório o uso das ciclovias, sob pena de punição para os ciclistas.
Ciclovias já vinham sendo usadas para melhorar o caminho dos ciclistas desde o final do século XIX. Já por volta de 1860, o Cyclist Touring Club, da Inglaterra,e a League of American Wheelmen reivindicavam ruas com melhor superfície para pedalar.
De fato, antes da política nazista, ciclovias eram melhoramentos feitos em parte da rua, para que os ciclistas não sofressem tanto com buracos e trepidações (era época das bicicletas bonneshaker, penny-farthing, sem pneus de borracha e outras melhorias que só surgiram em meados do século XX). Também haviam ciclovias feitas nas regiões rurais, como incentivo ao turismo.
Por volta dos anos 20, com a crescente indústria do automóvel, cresceu por toda a Europa a pressão para tirar os ciclistas das ruas e favorecer o fluxo dos carros, conforme mostra esta citação, registrada no First Dutch Roads Congress:
After all, the construction of bicycle paths along the larger roads relieves traffic along these roads of an extremely bothersome element: the cyclist.
Afinal, a construção de ciclovias ao longo das ruas principais elimina destas mesmas ruas um elemento extremamente incômodo: o ciclista.
Propagandas dos governos e das entidades de motoristas anunciavam as ciclovias como pró-ciclistas, e pela primeira vez empregaram o argumento da “segurança” para obrigar os ciclistas a usá-las.
Cartaz nazista de 1934.
O título diz: “Ciclovias evitam acidentes de trânsito”
Porém, até 1970, não há registro de reinvindicação de ciclovias, por parte de ciclistas, alegando motivos de segurança.
Em 1926, o uso da ciclovia foi tornado obrigatório, numa Alemanha já fortemente nazista – Hitler publicou Mein Kampf em 1925 e em 1926 foi fundada a Juventude Hitlerista.
Pela segregação, alegava-se também a necessidade de um “controle apropriado do tráfego”.
Em 1930, as primeiras ciclovias na Holanda foram construídas pela ANWB – uma associação de donos de automóveis.
Durante a Segunda Guerra, sob ocupação nazista, o uso de ciclovias foi tornado obrigatório na Holanda.
Na Alemanha Nacional-socialista, a construção de ciclovias tornou-se integrada à propaganda do Estado e do Partido Nazista como pré-requisito para ampliação do tráfego motorizado. Esta política foi apoiada pelo Nationalsozialistische Kraftfahrer-Korps (NSKK) (Corporação Nacional-Socialista dos Motoristas) e pelo Automóvel Clube da Alemanha – Der Deutsche Automobil-Club (DDAC).
Em 1º de outubro de 1934, de acordo com o Reichs-Straßen-Verkehrs-Ordnung (RStVO) – e na mesma linha de segregação e limpeza étnica promovida pelo Führer – para justificar a “limpeza das ruas”, cavaleiros, pedestres e ciclistas foram classificados como cidadãos de segunda categoria.
Juventude hitlerista - Youth Hitler
Fontes:
Geschichte der Radfahrwege (o mesmo texto em inglês, pode ser lido aqui History of cycle tracks, e a tradução em português, aqui)
Automobilverbände bestimmen Fahrradpolitik
A History of Cycle Paths

12/05/12

Café com Motorista: Felipe Camarão - 12 de maio de 2012.

Hoje o Rapadura Biker abdicou de trilhar no Vale do Ceará-Mirim, percorrendo o trajeto denominado "Roteiro dos Engenhos". Mas se assim o fez, foi por uma boa causa. E bote boa nisso!
Desde que conheço Fabiano Silva, um dos integrantes da Bicicletada Natal, que o "Café com Motorista" é sempre pautado em suas conversas. Para ele esse é um importante meio de comunicação entre ciclistas e motoristas de ônibus, uma forma de nos conhecermos e descobrirmos o óbvio: estamos todos no mesmo barco.
Foi por pessoas como Fabiano Silva e por tantos outros que fazem acontecer o "cicloativismo" que os Rapaduras vestiram um dos seus mantos e foram juntar forças com os demais ciclistas, seguindo pedalando até o terminal de ônibus do Bairro de Felipe Camarão. Acredito que para muitos foi a primeira oportunidade de conhecer aquele Bairro, integrante da Zona Oeste da nossa Capital. Ali concentra-se uma grande massa populacional e infelizmente é um bairro estigmatizado, principalmente pelo aspecto da violência.
Quem não foi precisava ver a expressão de espanto das pessoas nas ruas já a partir da Cidade da Esperança. Vi crianças saindo correndo de casa para as calçadas, o que é comum. Vi também trabalhadores de uma oficina e donas de casas admiradas com nossa passagem, o que já não é tão corriqueiro. Conclui e espero que esteja certo que hoje contribuímos de alguma forma para devolver a dignidade daquelas pessoas, pois somente estão acostumadas a receber a visita dos "camburões" e dos "rabecões". Se às pessoas começam a ver que temos a coragem de pedalar pelas ruas do Bairro mais violento da cidade, no mínimo vão refletir e quem sabe concluir que alguma coisa está mudando.
Chegando em Felipe Camarão nos dirigimos ao terminal de passageiros e ali tivemos outra grata surpresa: um local limpo e com boa estrutura para quem vai aguardar o embarque no seu ônibus. Ali tivemos a oportunidade de conversar, ainda que rapidamente, com motoristas e cobradores, ouvindo seus reclamos e fazendo os nossos. Eles ficaram espantados com a nossa presença, muito embora já estivessem avisados. Um dos motoristas confidenciou: "não sabia que vinha tanta bicicleta". Aproveitei a deixa e disse a ele: "isso é por que amanhã é dia das mães e muita gente viajou, senão você ia ver".
Foi uma verdadeira confraternização. Ouvimos atentamente o que foi dito pelos motoristas e também deixamos nossas impressões, tudo feito de forma ordeira, sem agressões e sem desrespeito. 
Com o apoio da SETURN foi servido um delicioso café da manhã e tanto os motoristas quanto os ciclistas comeram à vontade.
Com o apoio da ACIRN ao projeto foi possível sortear uma bicicleta, um capacete e um colete refletivo entre os motoristas e cobradores, demonstrando assim o nosso interesse em trazê-los mais para perto do nosso ciclomundo.
Também foi possível adesivar alguns ônibus com a mensagem da "distância que aproxima" e quem foi nosso parceiro nessa foi Braz Impressões.
Depois de tudo foi a hora de voltar ao lar. Uma parte desfez o caminho de ida e os Rapaduras seguiram pela BR 226, fazendo a trilha do Guarapes só para não deixar passar em branco.
Espero que o projeto continue e que em pouco tempo seus frutos possam ser colhidos. 
Parabéns aos idealizadores do projeto e aos que tiveram coragem de transformá-lo em realidade.
Por fim, quero ressaltar uma frase do Profeta Gentileza, a quem tive o privilégio de conhecer. A frase tem tudo a ver com o que aconteceu hoje: "Gentileza gera gentileza".
Trajeto de hoje.
Ciclistas no meio dos passageiros no terminal de Felipe Camarão.
Mulheres ciclistas.
Parte da galera.
Adesivando.
Mais adesivo.
Pedro Brito falando em nome da ACIRN.
A bicicleta, o capacete e o colete sorteados com os motoristas e cobradores.
O café da manhã.
Quero viver sempre nessa sombra.



01/05/12

III Pedal do Pico do Jabre: Os Rapaduras foram.

PALAVRAS NECESSÁRIAS:

Antes de iniciar o relato da nossa viagem sinto-me na obrigação de registrar a ousadia e coragem do colega Emano em organizar o evento. Digo isso pelo simples fato de já ter sentido na pele todas as agruras de ter organizado um passeio de bicicleta, sendo, portanto, sabedor que por mais simples que seja o "pedal", sempre está em jogo uma série de responsabilidades, que para muitos passa despercebida. 
É muito bom tomar conhecimento do evento pela Internet, fazer a inscrição por e-mail, o pagamento por TED, ver as imagens do terreno no Google Earth, reservar o hotel online, enfim, tudo no mundo virtual, esquecendo, no entanto, que no mundo real existem pessoas preocupadas com o bem estar de todo e qualquer ciclista participante do evento. 
No caso específico do III Pedal do Jabre alguns pontos negativos foram detectados, mas nada que tenha eliminado os aspectos positivos, os quais faço questão de destacar: os kits foram entregues conforme previamente estabelecido; o café da manhã foi de acordo com aquilo que os ciclistas estão acostumados (frutas, sanduíche, sucos e cereal); o trajeto não foi surpresa para ninguém , pois desde o início foi colocado o grau de dificuldade; os pontos de apoio atenderam às expectativas; o almoço não deixou a desejar; a organização do evento estava sempre disponível para ouvir e buscar soluções para os problemas apresentados.
Não é preciso ser experto para saber que esse tipo de atividade envolve diversos riscos e como ainda não atingimos um nível de profissionalização ideal, pequenos problemas continuarão acontecendo, mas nada que tire o brilho e o objetivo maior: confraternizar os ciclistas e incentivar o interesse pelas belezas da nossa região.
Parabéns Emano, sua esposa e todos que contribuíram para o sucesso do III Pedal do Pico do Jabre. Saiba desde já que os Rapaduras Bikers estarão na quarta edição.

PRIMEIRO DIA: 28 de abril de 2012.

Claudia Celi anunciou a desistência na 5ª feira e não questionei, pois sei que ela no momento tem outras prioridades. Ainda na noite da quinta, no pedal da Rota do Sol, uma passarinha me contou que Abeane Flávio, mais conhecido no submundo do ciclismo como "Flavinho", estava num pé e noutro para conhecer o Pico do Jabre. Cheguei em casa e catuquei os botões do teclado, deixando um recado no Facebook, que os mais chiques chamam de "Face". Não demorou muito e a resposta estava na tela: "estou dentro". Estava assim definido o grupo que representaria o RB no III Pedal do Pico do Jabre: Abeane (Flavinho), Benilton (campeão mundial de manter a respiração em locais confinados - mais adiante eu explico), Erimar (seu Berenilson) e Fábio Vale (O Barbeiro de Patos).
Saímos de Natal-RN às 14h00min e a expectativa era tão grande quanto a nossa alegria. Durante todo o trajeto um silêncio sepulcral dominava o carro, pois como se sabe homens conversam pouco.
Por sugestão de Abeane resolvemos fazer uma parada em Currais Novos-RN para experimentar a famosa maxixada, evidentemente comercializada no "Bar do Maxixe". Como o autor da ideia não lembrava o endereço do local paramos para perguntar ao primeiro morador com "cara" de que sabia das coisas. Fábio Vale fez uma verdadeira preleção e depois de cinco minutos conseguiu perguntar ao homem onde ficava o "Bar do Maxixe". O cidadão fez uma cara esquisita, parecia até que estávamos procurando o endereço do finado Bin Laden. Colocou uma mão na cabeça e resolver recorrer a outro homem que estava sentado na calçada numa cadeira de balanço de fios de plástico. O outro deu algumas informações e o nosso primeiro entrevistado voltou todo sorridente, dizendo: "você vai direto, entra no negócio da yamaha, segue em frente e vai". Ou seja, continuamos na mesma. Mais adiante tinha um ponto de mototaxistas e Fábio Vale foi logo dizendo: "Quero ver ali ninguém saber!". Paramos o carro e um mototaxista com uma pochete rosa choque veio ao nosso encontro. Quando indagamos sobre o bar o cabra foi logo dizendo: "vai ser muito difícil chegar lá uma hora dessa". Fiquei imaginando que ou tinha uma procissão no caminho ou o bar ficava no "Canyon dos Apertados". Nesse momento a minha vontade de comer maxixe já tinha ido embora. Mesmo com essa afirmação o mototaxista explicou o lugar: "esquerda, direita e esquerda". Não deu outra e em menos de dois minutos chegamos ao local sem nenhuma dificuldade. Não tinha um pé de cliente e o bar estava aberto tão somente para nós. Fomos atendidos pelo proprietário, seu Manoel, que fez questão de dizer que o tempero era seu e às vezes a mulher também fazia. Não demorou muito e chegaram as tigelas com as maxixadas. Comemos tudo e para aumentar o estrago ainda bebemos umas seis cocas KS. De panças cheias, deixamos a terra da xelita.
Passamos em Acari, Jardim do Seridó e chegamos em Ouro Branco-RN, oportunidade em que Fábio Vale fez um comentário sobre a fauna abundante da cidade, especialmente os cervídeos de duas patas. De fato observamos algumas espécies nas calçadas.
Não demorou em chegamos na Paraíba, passando por Várzea e na entrada de Santa Luzia. Dali em diante seguimos pela BR 230 e por volta das 18h40min chegamos em Patos, seguindo direto para o hotel, cuidando da hospedagem.
Depois de alojados fomos ao local de entrega dos kits e após algumas informações truncadas chegamos a Ducks Bike, uma loja muito bonita, com um atendimento muito simpático. Recebemos nossos kits, encontramos o pessoal dos Oiticica Bikers de Pau dos Ferros-RN (Lafaeite e esposa, Márcio e Danilo), a galera de Bananeiras-PB e Solânea-PB. Conversamos um pouco e saímos para jantar. A opção foi pizza e o estrago foi grande. 
Quando estávamos quase terminando o jantar quem chegou foi Fernando Amaral e Picolino, vindos também da terra das bananeiras. Ficamos conversando um pouco mais e Fábio Vale pediu licença para voltar ao hotel, pois tinha acabado de receber um e-mail da maxixada, de forma que um download se fazia urgente. 
Depois da saída de Fábio ainda ficamos cerca de uma hora conversando e comendo mais uns naquinhos de pizzas para não "estruir". Quando chegamos no hotel fomos diretos para os quartos e já no corredor a catinga de maxixe processado estava no ar. Quando abrimos a porta do 305 é que o fedor tava grande. Fizemos contato verbal com Fábio Vale, que ainda estava trancafiado dentro do banheiro, tendo respondido que estava fazendo a barba. Foi então que concluímos: ainda bem que ele não está cortando o cabelo, pois senão Patos iria abaixo. Fechei a porta do apartamento e acompanhei Abeane e Erimar até o quarto deles, ficando lá por uma meia hora, na esperança que o odor dissipasse. Quando voltei o maxixe ainda rendia, mas como eu estava com sono, o jeito foi encarar a catinga e lembrar da época do Exército quando tinha que encarar as câmaras de gás. Fazer o quê!!!!

SEGUNDO DIA: 29 de abril de 2012.

O despertador tocou às 04h00min e começamos os preparativos. Soube que no apartamento de Abeane e Erimar o despertador tocou às 03h00min da madrugada com uma equação matemática que pirou o cabeção de Erimar. Não sei se resolveram o problema com a resposta ou quebrando o despertador.
Às 05h00min já estávamos no local do café da manhã - Avelino Bike - juntando-nos aos demais ciclistas. Aos poucos foi chegando mais gente e o dia foi clareando. Soube depois que Erimar foi cobrado por não ter feito serviço de segurança direito, de modo que quase ia havendo um assalto em Patos-PB. Esse é outro assunto que sozinho vai render uma postagem em outro momento.
Depois de servido o café saímos com um pequeno atraso, mas tudo dentro dos limites do razoável. Os primeiros 20 Km foram num ritmo bem intenso, mas o terreno era bom e o pedal fluiu com tranquilidade. Tínhamos combinado de pedalar juntos, pois na hipótese de algum problema um ajudaria o outro. Emparelhamos com o pessoal dos Oiticica Bikers e logo no primeiro ponto de apoio sentimos a falta de Fabio Vale. Analisamos a situação e concluímos que ele tinha ficado com um colega de Patos-PB, pedalando na retaguarda do grupo. Sempre que tinha uma ponto de apoio procurávamos Fabio, mas nada do homem. Começamos a ficar preocupados, principalmente pensando no efeito maxixada. 
Depois de aproximadamente 18 Km de trilha começou a subida da Serra do Teixeira, no asfalto. Quanto mais você sobe, mais subida tem. Após uns 3/4 da serra deixamos o asfalto e pegamos novamente trilha à direita, parando antes num ponto de apoio. Depois dali as subidas continuaram e começaram a aparecer as placas indicando o Pico do Jabre. Não demorou muito e avistamos de longe as torres de metal imponentes em cima do pico. De olho no altímetro eu só via o danado indicando subida e mais subida. Acho que ficamos com crédito de subida até 2015.
Em determinado momento encontramos um ciclista parado numa sombra reclamando de cãibras nas duas pernas. O homem parecia que estava com pernas de pau. Parei e ofereci a ele uma milagrosa pomada, dizendo, no entanto, que se tratava de um medicamento importado e produzido por uma cacique de uma tribo Cheyenne, direto dos Estados Unidos. O cabra besuntou a pomada nas pernas e em poucos segundos disse que já estava bom. Concluímos então o seguinte: "exatualmente doutor, essa pomadinha tem tecnologia norte-americana". 
Por volta de 11h30min chegamos ao local do almoço - o Casarão do Pico do Jabre - um restaurante instalado num casarão antigo, no sopé do pico. Vários ciclistas já tinham chegado e muitos ainda estavam por vir. Tratamos então de almoçar e aguardar as diretrizes da organização. 
Quando terminamos o almoço recebemos a notícia de que um ciclista do RN tinha se acidentado. Ficamos então apreensivos, pois Fabio Vale, conforme já disse, tinha ficado na retaguarda. Procuramos então um motociclista com a camisa da organização e indagamos se ele sabia sobre o acidente. Foram essas as palavras do cidadão: "O negócio foi muito grave. O cara caiu, quebrou a clavícula, desmaio e vomitou". Perguntamos as características do ciclista e todas batiam com as de Fabio. Perguntamos qual era a bicicleta e a resposta foi que era uma Merida, então não tivemos mais dúvidas: foi Fábio. Procuramos mais informações e soubemos que o ciclista tinha sido socorrido para o hospital de uma cidade próxima. Como não tínhamos sinal de celular, restou-nos tão somente aguardar o retorno de Emano para saber qual a real situação. Por volta de 13h00min vi a motocicleta de Emano aproximar-se e fui ao encontro dele, recebendo a notícia que o ciclista acidentado era na verdade de Campina Grande-PB, tinha sido socorrido e estava bem. Logo em seguida vinham os dois últimos ciclistas chegando e um deles era Fabio Vale, dizendo com a cara mais lisa do mundo que tinha procurado muito por nós, mas como não encontrou parou em um barzinho na serra, tomou uma cerveja bem geladinha e ainda jogou duas partidas de sinuca. Para nós foi um alívio, mesmo sabendo que outro ciclista tinha se acidentado.
Embarcamos as bicicletas em um caminhão e tomamos assento no ônibus que nos levaria de volta a Patos. Na hora de sair descobrimos que algumas pessoas ainda estavam em cima do Pico e somente com o retorno destas é que o ônibus sairia. Às 14h00min o motorista do ônibus finalmente ligou o motor e saímos para enfrentar a descida da Serra do Teixeira. Para nossa sorte o motorista era muito habilidoso e soube conduzir o veículo com maestria, mesmo diante da "zuada" desnecessária feita por alguns ciclistas.
Quando faltava uns cinco quilômetros para entrar na cidade estourou um pneu do ônibus e não era possível trocá-lo. A opção foi seguir a pé e não há mal que não venha para o bem, pois aquele infortúnio fez surgir uma nova vertente do Rapadura, o grupo de Trekking Rapadura de a Pé. Encaramos o asfalto quente e parecíamos um grupo de escoteiros mantendo erguida a bandeira de Natal-RN. No caminho alguns conseguiram carona e no nosso caso fomos socorridos por Fernando Amaral e Picolino que vieram nos resgatar. Antes de sermos socorridos pela briosa equipe do Banana Bike ainda tivemos ao nosso lado uma legião de meninos que insistiam o tempo todo em pedir qualquer objeto que conduzíssemos. Começaram pedindo a bandeira de Natal, depois um capacete, um manguito, uma garrafinha, uma camisa e quando perceberam que não levariam nada se contentaram com um copo de refrigerante que paramos para tomar em um bar muito suspeito no caminho.
De volta ao hotel, tomamos banho, arrumamos nossas tralhas, nos despedimos de Patos e encaramos novamente a estrada, chegando em casa por volta das 23h00min.
Enfim, foram aproximadamente 53 Km pedalados, sendo que a maioria de subida, em uma paisagem muito bonita e já castigada pela falta de chuva. No caminho ainda encontramos várias pessoas transportando água nos lombos dos jumentos e constatamos que somos muito "ricos" e temos muito que agradecer ao bom Deus.
Para mim foi mais uma experiência maravilhosa e incentivadora para participar dos próximos.
Deixo aqui alguns registros fotográficos para deleite daqueles que não foram.
A pé ou de bicicleta, valeu Rapaduras!!!!





















15/04/12

Parque Ciclístico de Natal: um sonho de todos.

Caros Rapaduras:
Participamos hoje do ato que com certeza será considerado como a semente de um espaço adequado para todos que praticam atividades ciclísticas em nossa Capital.
O Professor Milton França Júnior - Milttão - mais uma vez se antecipou no tempo e teve a coragem de revelar seus sonhos, compartilhando-os com os que acreditam em dias melhores sobre duas rodas.
Acredito que todos integrantes do Rapadura Biker vão vestir a camisa do Parque Ciclístico de Natal, juntando-se ao Professor Milton e quantos mais vierem agregar valor à luta.
Parabéns!!! Conte conosco!!!

14/04/12

Pedal do Ferreiro Torto 2012: conhecendo um pouco da nossa história.

Tenho relutado muito em viajar pra fora do nosso País, pois acho que ainda temos muita coisa por aqui que não conhecemos. Não, isso não é desculpa de liso, pois graças ao bom Deus e aos muitos anos de trabalho, ainda é possível reservar uns trocados para o lazer viajante.
Hoje fizemos um pedal que considero muito interessante: o trajeto não é muito longo nem muito acidentado, é pertinho de casa, a paisagem é bonita e nos permite visitar um local histórico do nosso Estado, o Solar do Ferreiro Torto, na vizinha cidade de Macaíba.
Às 06h30min o grupo já estava presente no Posto Emaús. 17 ciclistas atenderam nosso chamamento e vieram compartilhar algumas horas de suas vidas em nossas companhias.
Saímos pela BR 101 e depois entramos na 304, aquecendo no asfalto. Antes do trevo de Macaíba entramos à direita e já tivemos o nosso primeiro contato com o terreno que mais nos agrada, a trilha. Uma descida boa, possibilitando "sentir" o funcionamento da suspensão. O professor Raimundo desceu com gosto de gás, o homem "flotoava".
Entramos à esquerda na BR 226 e em poucos minutos adentramos o portão de acesso ao Solar do Ferreiro Torto.
O local é muito arborizado e fica bem pertinho do Rio Potengi. Para nossa surpresa o casarão estava aberto e tivemos a oportunidade de conhecer o museu, com direito a uma visita guiada pelo simpático senhor João, coordenador do local. Tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da história do lugar, tomando conhecimento que ali houve um massacre e que as terras da antiga fazenda iam até Pium. Foi uma verdadeira viagem no tempo, com várias peças do tempo dos engenhos, réplicas de imagens religiosas e muitas fotografias. Conhecemos também um pouco sobre Augusto Severo, um dos pioneiros da aviação e da famosa Viúva Machado, cuja lenda diz que comia fígado de crianças.
Deixamos o local seguindo por dentro da cidade e depois novamente na BR 304. Antes do trevo de Jundiaí seguimos pela esquerda, pedalamos um pouco no asfalto e logo iniciamos a trilha das frutas, no rumo do Lamarão. Algumas paradas no caminho para hidratação e por volta das 10h00min já tínhamos alcançadoJapecanga.
Após uma parada técnica na Rainha do Pastel, atravessamos por cima da passarela, passamos por dentro de Parnamirim e por volta de 11h15min chegamos ao nosso destino.
Foi mais uma ótima oportunidade de pedalar ao lado de pessoas maravilhosas.
Seguem as fotos para deleite de quem não foi.

Concentração: Posto Emaús.

Solar do Ferreiro Torto.

A Viúva Machado

Duas figuras históricas: Augusto Severo e Professor Raimundo.
Trilha das Frutas.

Como era o casarão antes da restauração.

Rapaduras ouvindo o guia: senhor João.

Onde é feita sua bike?

Caros Rapaduras:

Nos encontros com ciclistas é muito comum ouvir sempre alguém ficar se "gabando" sobre sua bicicleta produzida nos Estados Unidos ou Europa.
Encontrei o artigo abaixo que trata com muita objetividade sobre o assunto.
Enfim, é tudo feito pelos caras dos olhinhos apertados.
A fonte do artigo encontra-se no final.


Onde é feita a sua bike?
(21/03/2012 - 19:29)



Onde é feita sua bike? Made in where?



As fábricas de bicicletas mantém alguns de seus segredos guardados a sete chaves. Um dos segredos “mais secretos” é o local de produção das suas bicicletas.

Pra começar, como definir se a bicicleta é “Made in USA”, “Made in Italy” ou “Made in Taiwan”? A regra de ouro da indústria de bicicletas é que o país de origem deve agregar 60% do valor do produto final.

Pois bem, é possível comprar uma bicicleta com quadro de fibra de carbono e componentes Shimano por algo em torno de US$ 8.000,00 aqui no Brasil. A “alma” dessa bicicleta (ou melhor dizendo, o quadro) pode ser comprado na China por US$ 200,00 (sem pintura e adesivos). No Brasil vamos adesivar, pintar, envernizar e colocar as demais peças. Pronto, não é difícil deduzir os valores das rodas, relação, freios, cockpit, etc, e então essa bicicleta será “Made in Brazil”. Fazendo essa mesma montagem no país de origem do quadro, ela seria “Made in China”. Complicado não é?

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos concluíu que em torno de 95% das bicicletas comercializadas lá são feitas na China ou em Taiwan (principalmente na Giant, a maior delas). Como o nosso mercado não é diferente, é possível afirmar que estamos na mesma situação.

Com essas informações em mente, consegui uma relação de algumas marcas famosas vendidas nos EUA e sua história. Concluí que as minhas duas bicicletas são feitas em Taiwan pela Giant, embora não sejam Giant.

BIANCHI - Biachi e Schwinn tem histórias semelhantes: são empresas seculares, familiares, fabricantes de suas próprias bicicletas, além de terem sido muito populares nos seus respectivos países. Vieram tempos difíceis e foram vendidas, transferindo a totalidade de sua produção para a Ásia.
Em 1996 a Bianchi foi vendida a um conglomerado sueco (conhecido como Cycleurope) até ser transformada na Pacific, em 2001 e sob a Cycleurope, detém o nome de 11 marcas diferentes de bicicletas.

As bicicletas “Made in Italy” da Bianchi são uma fonte de confusão. Muitas das bicicletas RC (Reparto Corse) tem adesivos “Made in Italy”. Os quadros de Carbono RC são feitos pela Advanced International Multitech (um fabricante de Taiwan de peças de carbono de bicicletas, beisebol, golfe, flechas, varas de pescar, etc), e os de alumínio são feitos pela Taiwan Hodaka.

Alguns quadros que ainda são soldados em Treviglio (casa originária da Bianchi). Possivelmente as juntas de alumínio de alguns quadros de carbono são soldados, ou pelo menos, colados.

No passado os quadros da Bianchi já foram produzidos pela Giant, em Taiwan.

CANNONDALE - A fábrica que era propriedade do fundador e de seu filho, Joe Montgomery Scott é agora propriedade de fundos de investimento, após ter enfrentado problemas financeiros.

De acordo com a Bicycle Retailer and Industry News de junho de 2007 a manufatura dos quadros Cannondale é feita em Taiwan - provavelmente pela empresa Fritz-jou. Outros são soldados e pintados em Taiwan e em seguida enviados para os EUA para a montagem final.

Em fevereiro de 2008 a Dorel Industries anunciou a aquisição da Cannondale. Essa empresa já havia comprado a Pacific (Schwinn, Mongoose e GT) da Cycleurope em 2004.

CERVÉLO - Empresa canadense. As bicicletas são fabricadas na Ásia e montadas no Canadá. Simples assim.

COLNAGO - Em 1944 quando Ernesto Colnago trabalhou como aprendiz, aos 12 anos de idade, na loja de Dante Fumagalli ele não imaginava que se tornaria o mais famoso de todos os construtores italianos de quadros.

A Colnago é talvez o mais cobiçado de todos os quadros entre os profissionais. Basta olhar os sites especializados para ver quantas Colnagos aparecem nas provas.

Os quadros são feitos a mão na Itália, com exceção de três modelos de entrada feitos em alumínio, possivelmente pela Giant e do carbono CLS que também é feito em Taiwan.


DE ROSA - É uma empresa italiana (uma das “três grandes; Colnago, De Rosa e Pinarello). Ugo de Rosa, juntamente com seus filhos constroem bicicletas há mais de 50 anos, todas elas na Itália.

GARY FISCHER - Gary Fischer é o padrinho das MTB. Depois de lutar com sua própria empresa, vendeu a marca para a Trek Company. Ele continua envolvido na concepção e comercialização da marca, além de ser uma figura popular em eventos da indústria de bicicletas. Suas bicicletas são feitas na Ásia.

FUJI - Agora é propriedade da Ideal, que é um dos principais fabricantes de Taiwan, juntamente com a Giant e a Merida.

GIANT - Você pode estar andando ou já ter andado numa bicicleta da Giant sem sabê-lo! A Giant é a maior fábrica de bicicletas do mundo (há controvérsias, dizem que a maior é uma fábrica indiana), com fábricas em Taiwan, China e Europa. A Giant é uma empresa de Taiwan que foi fundada em 1972 fabricando suas próprias bicicletas, incluindo as de carbono. Além de suas próprias bicicletas, a Giant produz sob encomenda quadros para a Trek, Specialized, Schiwnn e Bianchi. A alegação dessas marcas é que a Giant tem os mais sofisticados e eficientes instalações de produção.

Além da sua própria fábrica, a Giant detém o controle de 30% da Hodaka, uma montadora de bicicletas de Taiwan, que monta as Bianchi.

KONA - Empresa californiana com toda a produção na Ásia. A Kona foi fundada em 1988, muito pequena, depende totalmente da produção desses países, principalmente da Hodaka

LEMOND - Inicialmente suas bicicletas foram feitas por Roberto Bilatto, na Itália e distribuídos pela extinta Ten Speed Drive Import (os quadros feitos por Bilatto são disputados a tapa por colecionadores).

Após uma tentativa de ter uma companhia independente, LeMond licenciou sua marca para a Trek e seus quadros são produzidos na Ásia, exceto o carbono, que é feito em Wisconsin.

LITESPEED - A partir dos anos 80 a Litespeed foi a pioneira nos quadros de titânio. Foi por um período de tempo a maior fabricante de bicicletas de alto nível do mundo. Todas as bicicletas, incluindo a marca Merlin são feitas por eles próprios no Tennessee. A Quintana Roo também é propriedade da Litespeed, mas é feita na Ásia.

Conforme a reputação cresceu, passaram a construir quadros para outras marcas como DeRosa, Merckx, Tommassini, Basso, Univega, Alpinestars, Marin e Rocky Mountain.

MASI - Faliero Masi foi o “avô” de todos os construtores italianos de quadros, servindo como fonte de inspiração para outros construtores famosos como Ernesto Colnago. Faliero vendeu sua empresa para os americanos no início dos anos 70. Desde então, a marca teve vários proprietários, incluindo a Schwinn. Atualmente a marca MASI é propriedade da Haro (empresa californiana especializada em BMX) e suas bicicletas são construídas na Ásia. Essas bicicletas em alguns lugares do mundo são comercializadas sob a marca MILANO.

ORBEA - Um dos dois grandes fabricantes espanhóis de bicicleta. Os quadros top são produzidos nos países da Ásia e acabados (pintados) na Espanha. A Orbea faz todo o design de suas bicicletas, engenharia e prototipagem. Constrói seus próprios moldes e produz muitos protótipos antes de entregar o grosso da produção para os chineses.

PINARELLO - Tem produzido bicicletas de alto nível desde os anos 50. Alguns quadros são feitos agora em Taiwan, como o Galileo (alumínio). Embora não se consiga confirmar, provavelmente a linha de carbono é feita na Ásia e enviados para a Itália para pintura e montagem.

RALEIGH - Há alguns anos a gestão é feita através dos proprietários americanos, sediados em Kent, Washington. A produção toda vem da Ásia, sendo seus principais fornecedores a Kinesis e A-Pro.

SCHWINN - Foi durante muitos anos a maior marca americana. Todas as bicicletas eram produzidas nos EUA até o final dos anos 80.

Em 1985, após duas falências, a Schwinn foi comprada pela Pacific, que também é proprietária da GT, Mongoose e da Pacific (além de outras), e a sede da empresa está sediada em Madison, Wisconsin.

Sob o domínio da Pacific, a Schwinn está retornado ao mercado, pois a Pacific vende mais do que qualquer outra marca nos EUA (mas no entanto, inclui-se nas vendas outras marcas vendidas em mercados como Walmart, Target, etc - seria as nossas “Houston” e “Sundown”). Todas as bicicletas Schwinn são produzidas pela Giant, na Ásia.

SCOTT - A Scott começou em Sun Valley, Idaho, quando Ed Scott desenvolveu o primeiro esqui de alumínio, em 1958. Na década de 80, a Scott desenvolveu uma linha de bicicletas.

A Scott retirou-se do mercado americano, centralizando-se na Europa, onde é a sua sede.

Depois de uma ausência de vários anos, a Scott voltou ao mercado americano, sob a direção de Scott Montgomery Cannondale. Apesar da empresa ser suíça, a produção é asiática, principalmente da Hodaka e Giant.

SPECIALIZED - Fundada em 1974 por Mike Sinyard tem reputação de ser líder na concepção e comercialização de bicicletas.

Anos atrás, a Merida (um fabricante de Taiwan) comprou uma parte substancial da Specialized e, embora ainda sediada na Califórnia sob a liderança do seu fundador, todas as bicicletas são feitas na Ásia, pela Merida, Ideal e Giant.

TIME - A Time produz um dos mais avançados quadros de carbono do mundo. Sua produção é artesanal e toda feita na França, mesmo nos quadros mais básicos.

TREK - A maior marca americana de bicicletas começou numa fazenda em 1976 com Dick Burke e um investimento de US$ 25.000,00 e só em 1980 construiu sua primeira fábrica em Wisconsin.

Depois de fazer suas bicicletas por muitos anos nos EUA, a Trek moveu a produção dos quadros de entrada e de nível médio para a Ásia.

Em 1992 introduziu o seu processo proprietário de processo de quadros de carbono chamado de (OCLV - Optimum Compaction Low Void) que até hoje é usado na sua linha, sendo que toda a produção (de estrada e MTB) ainda é feita em Waterloo, Wisconsin. A produção da linha de Carbono 5000 é feita na Ásia.

É a segunda maior marca de bicicletas do mundo, atrás da Giant (considerando apenas as marcas vendidas exclusivamente em lojas de bicicleta) e possui as licenças da Gary Fischer, LeMond, Klein e Bontrager.



fonte: http://magliarosa.wordpress.com/tag/bicicletas/

Adaptação: Zeca Ribeiro - Ciclista Goiano e cliente do Estúdio Bikefitting





Marcelo Rocha

12/04/12

Pesquisa sobre mobilidade urbana em Natal: uso da bicicleta

Caros Rapaduras:
Segue um e-mail recebido solicitado contribuição para uma pesquisa acadêmica:


Boa tarde,

eu sou aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN e estou desenvolvendo uma pesquisa acadêmica sobre os usuários de bicicleta da cidade de Natal. 
Essa pesquisa quer conhecer qual é o perfil desses usuários e tem por objetivo descobrir quais são os obstáculos, motivações e necessidades de quem usa a bicicleta na cidade. Para conseguir esses dados preciso que os ciclistas da cidade respondam a um questionário online. 
Nas pesquisas realizadas para esse trabalho conheci o blog Rapadura Bikers e gostaria de saber se você pode divulgar esse meu questionário no blog e repassar para outras pessoas que tenham o perfil da pesquisa? Queria saber também se posso divulgar o questionário na comunidade do blog no orkut?
O link para responder o questionário é o seguinte:
Se você puder e quiser incorporar o questionário ao blog, o código se encontra abaixo: